A+ | A-

Sociedade Brasileira de Aquicultura
e Biologia Aquática

Área Restrita
Formulário de acesso área restrita dos associados
esqueci minha senha
Fale Conosco
(48) 3209 - 3933<br>Caixa Postal 5002<br>Florianópolis - SC - Brasil<br>CEP 88040-970<br />aquabio@aquabio.com.br

Caracterização das psiculturas da região do Vale do Guaporé

   [ 21/12/2011 ] Destaques da Pesquisa

No Estado do Mato Grosso a piscicultura é uma atividade ainda em implantação, pois o seu crescimento foi mais significativo a partir da década de 90. Por ser uma atividade recente e de grande potencial, ainda existe escassez de informações que possam subsidiar ações do setor público ou do privado.

mapaO governo do Estado juntamente com o consórcio intermunicipal de desenvolvimento do “Vale do Guaporé” vem buscando novas alternativas de produção alimentar, destacando-se a atividade piscícola devido ao potencial que a região possui. Projetos estão sendo feitos para ajudar principalmente os produtores de menor poder aquisitivo. Diante da carência de informações sócio-econômicas da piscicultura é que se objetivou com este trabalho, que busca caracterizar as pisciculturas instaladas na região do Vale do Guaporé-MT, localizada a Sudoeste do Estado.

O consórcio Vale do Guaporé foi criado pela Lei Estadual no 8.697 de 02 de Agosto de 2007. Possui área de62.143.000 ha, com população estimada em 103.848 habitantes, tendo como economia predominante a lavoura e a pecuária de corte e de leite.

Para localização das pisciculturas, foi necessário auxílio das Secretarias de Agricultura dos municípios analisados e dos próprios produtores rurais, que informavam a localidade das propriedades que possuem sistemas de criação de peixes. As localizações obtidas diretamente com o setor produtivo, foram de grande importância por não haver dados e registros oficiais atuais, dos empreendimentos rurais que trabalham com piscicultura, os quais possibilitaram uma amostragem satisfatória para esta pesquisa. As entrevistas foram realizadas no mês de fevereiro e março de 2011, totalizando 40 propriedades.

Para realização das entrevistas foi formulado um questionário para caracterização da atividade contendo os seguintes itens: dados históricos da atividade, identificação do proprietário e da propriedade, custo de produção, grau de escolaridade, sistema de criação, espécies, mão-de-obra, alimentação, assistência técnica, comercialização, legalização, abastecimento/escoamento da água, tratamento de efluentes e maiores dificuldades encontradas na atividade. Após a pesquisa em campo, os dados foram tabulados em planilha para construção de gráficos e tabelas.

Os produtores entrevistados apresentam baixo nível de escolaridade, pois a maioria (60%) deles tem o 1° grau incompleto. Quanto ao tamanho da propriedade, 80% das pisciculturas estão localizadas em que possuem até100 hectares, predominando área de lâmina d’água inferior a um hectare (80%). Nessas propriedades, a atividade econômica predominante é a pecuária leiteira que corresponde a 40% dos casos, apenas 15% têm a piscicultura como atividade principal, desse percentual, 7,5% possui sistemas de pesque-pague.

No Vale do Guaporé a piscicultura teve início por volta da década de 90, e até 2004 havia apenas 13 piscicultores. De2005 a2010 este número mais que triplicou, chegando a 40 pisciculturas. E a perspectiva é de crescimento devido às ações de incentivo por parte de política governamental, que tem como objetivo facilitar a implantação de novas instalações e fornecer assistência técnica.

As espécies mais cultivadas pertencem ao grupo dos peixes redondos, tais como: tambaqui (Colossoma macropomum), tambacu (tambaqui fêmea x Piaractus mesopotamicus, pacu macho), pacu e tambatinga (tambaqui fêmea x P. brachyopomus, pirapitinga macho). Os pescados produzidos são comercializados na propriedade rural, feiras e supermercados locais, principalmente no período da Semana Santa.

De acordo com a pesquisa foi verificado que 37,5% das pisciculturas utilizam, para a alimentação dos peixes, somente ração extrusada e 62,5% utilizam ração extrusada juntamente com alimentos alternativos (frutas, legumes e resíduo de alimentos). No entanto, dietas não balanceadas afetam negativamente o aproveitamento dos nutrientes e, consequentemente, baixo índice de desenvolvimento.

No Brasil, existe uma série de documentos legais para autorizar a exploração e uso dos recursos naturais, emitidos pelos governos federal, estadual ou municipal, permitindo ou não a implantação de um sistema de cultivo. Porém, a realidade é que a grande maioria (87,5%) dos produtores entrevistados não está regularizada. Isso ocorre não em razão da falta de preocupação do produtor em estar em dia com suas obrigações, mas sim, pela burocracia e exigências das entidades responsáveis. No Vale do Guaporé, como também encontrado em outras regiões do Brasil, a mão-de-obra empregada na piscicultura é executada pelos membros da família.

A falta de beneficiamento do produto comercializado, assistência técnica, elevado preço da ração e insumos, burocracia na liberação da licença ambiental, atuam como entraves ao desenvolvimento da piscicultura. No entanto, as informações obtidas nesse estudo poderão servir de subsídio para implementação de ações, tanto do setor público como privado. Esses poderão formular propostas de desenvolvimento que contribuam para a competitividade do setor e, consequente, expansão da piscicultura no Vale do Guaporé, podendo ainda ser expandidas para demais regiões do Estado.

 

Pesquisa desenvolvida por: Adriana Fernandes de Barros1*, André Césari Niêmens Leal1, Ellínez Layra Toledo da Silva1, Osvaldo Martins de Souza1, Maria Inez Espagnoli Geraldo Martins2, Ferenc Istvan Bankuti3 

1Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT, Departamento de Zootecnia, Pontes e Lacerda-MT,* e-mail: adriferbarros@yahoo.com.br

2 Universidade Estadual Paulista, Centro de Aquicultura – CAUNESP

3 Universidade Estadual de Maringá - UEM

(48) 3209-3933 | contato@aquabio.org.br COPYRIGHT 2011 - Sociedade Brasileira de Aquicultura | Aquabio
início apresentação estatuto diretoria agenda afiliação contato