Visando a expansão do mercado de piscicultura marinha no País, a Universidade Federal Rural do Pernambuco (UFRPE) criou o Projeto Cação de Escama para testar a viabilização do cultivo em cativeiro do beijupirá (Rachycentroncanadum), peixe típico do nordeste brasileiro.
A escolha desse peixe se deve ao seu rápido crescimento, facilidade para desovar em cativeiro, disponibilidade de tecnologia de produção de alevinos, adaptabilidade ao confinamento e aceitação de rações, além de uma carne de ótima qualidade. No Brasil já existem projetos semelhantes nos estados de São Paulo, Ceará e Bahia, entre outros, porém utilizam viveiros de terras e o cultivo é feito em pequena escala e em áreas protegidas.
O “Projeto Cação de Escama: cultivo de beijupirá pelos pescadores artesanais do litoral de Pernambuco” serve como base para a análise da viabilidade técnica e econômica da piscicultura em gaiolas em mar aberto, para o estudo do impacto ambiental, monitoramento sanitário e também para a rastreabilidade deste método. O projeto também tem um enfoque social, buscando a integração dos pescadores do Recife e Jaboatão dos Guararapes nas atividades, seu treinamento e capacitação em temas como biologia e produção de peixes em cativeiro.
Instalação da fazenda marinha
A instalação das gaiolas, realizadas em 2010, levaram em conta fatores como proximidade a zonas portuárias com píer, correntes marítimas e qualidade da água. As gaiolas flutuantes, com volume médio de 1.200 m3, foram montadas em estrutura circular feita de PEAD (polietileno de alta densidade) e rebocadas ao mar aberto, onde receberam redes de acordo com necessidades específicas como rede anti-pássaros, anti-predadores, redes berçários e rede-engorda.
Em dezembro foram transferidos os primeiros espécimes de beijupirá, um total de 15.000 animais juvenis com média de 150 gramas cada. O primeiro período de engorda será até outubro desse ano e espera-se que até lá os peixes tenham cerca de 3 quilos.
A monitoração do impacto ambiental dessa atividade está sendo estudada através de análise bimestral da água, tendo como parâmetro os resultados de análises prévias à instalação da fazenda. Oito pontos de coleta estão sendo monitorados, partindo das gaiolas até 200 metros abaixo, levando em conta a direção da corrente predominante na região – sul/norte. Além dos testes físico-químicos e biológicos realizados para controlar fatores como temperatura, salinidade, pH e coliformes totais, há a realização periódica de observações visuais da região, através de mergulho.
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